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Economia

Secretaria de Política Econômica avalia resultado do PIB no primeiro trimestre de 2019

Nota à imprensa

Para recuperar o crescimento, o país tem que superar dois desafios: quadro fiscal deteriorado e baixa produtividade
por publicado: 30/05/2019 13h25 última modificação: 30/05/2019 15h04

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2019 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (30/5), foi de -0,2% com relação ao quarto trimestre de 2018, e de 0,5% com relação ao primeiro trimestre de 2018. Tal resultado deixa claro que a economia brasileira se depara com importantes desafios. O país encontra-se em um ambiente de crise fiscal, desemprego elevado e produtividade estagnada, resultados perversos de políticas equivocadas adotadas na última década.

O problema de misallocation (má alocação de recursos), promovido por políticas de estímulos a setores específicos, e a deterioração das contas públicas resultaram no aumento da incerteza econômica, na queda da produtividade e dos investimentos e no aumento do desemprego na presente década. O quadro atual ainda é resultado desse ambiente construído por muitos anos e sua reversão requer elevado esforço, por parte do governo e da sociedade brasileira.

Além das restrições de caráter estrutural ao crescimento da economia brasileira, diversos choques de curto prazo se refletiram negativamente no resultado do PIB no primeiro trimestre. O ambiente externo caracterizou-se por incertezas e crescimento relativamente lento, reduzindo o potencial tanto do comércio exterior quanto dos fluxos de investimentos. Com isso, projetos foram adiados e a recuperação da economia revelou-se mais lenta do que o esperado no início do ano.

A agropecuária teve reflexos de intempéries climáticas no início do ano. Todavia, as estimativas mais recentes apontam para recuperação da safra ao longo do ano, o que deverá contribuir para a retomada do PIB do setor agropecuário. No caso da indústria, houve impacto da tragédia de Brumadinho (MG) com reflexos na produção extrativa mineral. Para a indústria de transformação, a crise na Argentina gerou reflexos nas exportações brasileiras de manufaturados. Constata-se desempenho positivo do comércio no 1º trimestre de 2019, gerando carry over (efeito carregamento) de 2% para o ano de 2019, o que contribuirá para o resultado do PIB de serviços.

Segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia (SPE/ME), para recuperar o crescimento o Brasil tem dois desafios principais: quadro fiscal deteriorado e baixa produtividade. A Nova Previdência representa o primeiro e crucial passo rumo à sustentabilidade das finanças públicas, reduzindo incertezas quanto ao quadro macroeconômico futuro para que possa haver novos investimentos.

A fim de elevar a produtividade, um amplo conjunto de políticas pró-mercado está em elaboração ou implementação pelo governo com o objetivo de reduzir ineficiências alocativas e gerar diminuição de custos no setor produtivo. Dentre estas, pode-se destacar a reforma tributária, abertura comercial, aperfeiçoamento do mercado financeiro e de capitais, programas de concessão e privatização na área de infraestrutura, choque de energia barata, combate à corrupção e aos desperdícios no setor público, e eliminação de gastos tributários e subsídios financeiros e creditícios ineficientes.

Na avaliação da SPE, a economia brasileira foi marcada por baixo crescimento nos últimos 40 anos. Nesse período, diversas políticas de estímulo à demanda foram implementadas, demonstrando-se incapazes de promover crescimento sustentado. Precisamos de políticas pelo lado da oferta que visem o crescimento não apenas agora, mas também no médio e longo prazos.